A normalidade da barbárie

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A administração do mundo objetivo e os constantes embates com o tempo conseguem, às vezes, desviar a merecida atenção do pensamento e da análise das questões cotidianas. O mundo está aí produzindo notícias que, na maioria das vezes, são reproduzidas como movimento inconsciente coletivo, com total anulação da consciência individual diante de um movimento de massa. Enquanto isso, a verdade dos fatos é deixada para trás. Manipulada coletivamente pelos meios de comunicação a sociedade segrega, rotula, mantém e alimenta todo tipo de preconceito, chegando a ponto de destruir a dignidade de uma pessoa e até mesmo a vida. Assistimos diariamente – e passamos a achar normal –, linchamentos, explosão de bandidagem travestida de manifestação, destruição de patrimônios particulares e públicos, desmoralização de toda instituição que constrói o sentimento de humanidade, difamação e calúnia absorvidas sem qualquer senso crítico.  E erra feio quem acha que assistir apenas não o torna responsável, nada nos exime do dever de fazer contraponto ao sistema. Comunicação, cultura e política andam juntas e em seus terrenos são definidas as bases de comportamento coletivo – que pode caminhar para a civilização ou retroceder para a barbárie, perdido de valores éticos e sociais.

Uma passagem rápida na história da humanidade pode-se perceber a ação daninha da barbárie. Quantos foram julgados, apedrejados, linchados, queimados, enforcados, guilhotinados, crucificados, até que a história os transformasse em heróis? Quando se opta por ser diferente da maioria, o ser humano corre sérios riscos de sofrer tortura moral e física. Grandes pensadores, filósofos, cientistas, políticos, religiosos, experimentaram em maior ou menor grau a ação do inconsciente coletivo. Cristo morreu na cruz, sofreu todo tipo de humilhação física e moral, para só depois de ressuscitar ter seu reconhecimento. E como ele, Giordano Bruno, teólogo, filósofo, escritor e frade dominicano italiano foi condenado à morte na fogueira pela Inquisição romana por heresia. Joana D’Arc, mesmo sendo heroína na França, capturada por ingleses, foi acusada de feitiçaria e queimada viva. Nicolau Copérnico deu um tapa na vaidade/ arrogância humana ao afirmar que era a Terra que girava em torno do Sol, contrariando a teoria do geocentrismo e foi ridicularizado pelos cientistas da época. E assim muitos outros.

Será sempre necessário matar o Cristo antes? É bem verdade que a ineficácia dos mecanismos de controle social e a corrupção intrínseca ao Estado provocam desânimo e nos fazem desacreditar na justiça, principalmente porque, em algumas vezes, a própria justiça assume o papel de linchadora. E pululam nas redes sociais campanhas difamatórias sem a menor preocupação com a investigação da verdade. Há algo mais sério por trás das explosões coletivas. Alguma coisa que – manipulados ou não – insistimos em ignorar. Queremos sempre atacar o efeito, sem nos aprofundar nas causas. Intimamente podemos até saber que paramos na casca, mas nos negamos a querer investigar os motivos.  Sem vínculos com nossa humanidade, a justiça que queremos para o outro não é a mesma que queremos para nós e, por isso, muitos defendem a redução da maioridade penal, apoiam a pena de morte, acham que devem ser os justiceiros do mundo. Até que sejam atingidos de alguma forma em sua própria pele.

 

A vida exige do ser humano mais que ser vítima das circunstâncias e, neste sentido, o mundo está limitado pela habilidade em guerrear – que embute a ideia de vencer ou ser derrotado – fazendo com que a sobrevivência tome o lugar da ética. Em proporções menores, todos que se propõem a levar uma vida justa e perfeita na senda do autoconhecimento sabem bem o que é a noite negra da alma. Em tempos de tempestade, em dias hostis,  o ser humano pode testar a firmeza de seus princípios e valores. A carga de humanidade que cada um carrega é desafio para os tempos modernos. Educar para liberdade significa tecer os fios do sonho da solidariedade. Um indivíduo educado para ser livre aprende a formular os questionamentos e cria a possibilidade coletiva para escapar da escravidão. A liberdade, bem como a dignidade, é interna, e só por isso, os inúmeros heróis reconhecidos tardiamente conseguiram superar as vicissitudes da vida. Nem calúnia, nem acusação, nem linchamentos físicos ou morais, desviará o justo da senda escolhida.

 

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