Doces mistérios

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Há no ser humano uma atração irresistível pelo abismo do mistério, suas entranhas e profundezas. Não é exatamente um despropósito, principalmente quando entendemos alguns escritos sagrados que afirmam que no princípio tudo era treva, e daí fez-se a luz, porém a luz não veio das trevas. Complexo mesmo. Esse absurdo é a fonte infinita da razão, da ciência, da luz que brota das trevas, do conhecimento que, por mais que evolua, nunca será o absoluto. Mas o domínio do mistério é um campo aberto à mente investigativa e às conquistas da inteligência, ainda que para aprender seja necessário esquecer várias vezes o que acreditamos já ter aprendido. Daí que a única constante universal é a mudança. Podemos entender que a ciência investiga o mistério, mas outras formas de conhecimento são utilizadas ao longo do tempo.

Os antigos acreditavam na existência de um alfabeto oculto e sagrado composto de ideias absolutas ligadas a signos e números e que, por suas combinações, realizam a matemática do pensamento. Salomão teria representado esse alfabeto por 72 nomes escritos em 36 talismãs e que os iniciados do Oriente denominam de pequenas chaves, ou clavículas de Salomão. Servem para abrir as portas de pequenos santuários em que repousa a verdade.

Enfim, em busca dessa verdade, motivados pela curiosidade ou pelo desejo sincero de conhecimento, muitos batem as portas das escolas iniciáticas. Muitos entram pelos primeiros portais e câmaras, poucos, porém, conseguirão decifrar os segredos dessas pequenas chaves que lhe são dadas e seguir adiante. Principalmente aqueles que buscam um segredo palpável. O segredo existe, mas cada um terá que descobrir qual é. Assim como a curiosidade move a criança, somos atraídos pela luz,  e a paixão religiosa move multidões, de forma poderosa, viva e até mesmo fanática.

A  necessidade de crer, seja pela afirmação ou negação de algo maior que a vida mortal – com todas suas mazelas, ignorâncias e misérias –  representa para o ser humano a esperança no futuro. Reduzir a vida, ao tempo de mortalidade,  significaria tirar-lhe a necessidade de idealismo infinito, as justificativas de aspirações à evolução e que inspira as abnegações e dá forma às virtudes, embora a crença também sirva para iludir a vaidade dos fracos e tolos em proveito dos fortes e hábeis. A religião usa o mistério para falar de fé. Se há dúvida, mata-se a fé.  As escolas de mistérios se utilizam do espírito investigativo, da razão e da tênue linha que separa o conhecido e o desconhecido, para motivar a busca da verdade. Sem fé não existe religião.

Por sua vez, a ciência também guarda seus mistérios, usa símbolos e fórmulas para exprimir sua profundidade desconhecida, mas partindo daquilo que é conhecido. A forma simbólica está acima da razão científica e a ciência não pode explicar, nem realizar a obra da fé. Fé e ciência, crer e saber não podem se confundir, mas também não podem se opor. Negar ou contestar, em nome da ciência, as decisões da fé, é admitir que não se compreende nem a ciência e nem a fé. Trabalhamos aqui com a triangulação, em que a verdade, ainda que não seja a absoluta, está no terceiro vértice, o que nada mais é que a profunda compreensão da dualidade que sempre falamos em nossos artigos. Usando a analogia do homem e da mulher, o terceiro ponto seria o filho, a criação.

 

Não cabe aqui, agora, falar da Santíssima Trindade – este é um outro assunto – , que poderá ser abordado em outra oportunidade. Cabe agora perceber que o amor comtempla-se na beleza como em um espelho e experimenta todas as formas como enfeites. E se assim como é em cima é em baixo, o homem também se afirma e cria a si próprio, enfeitando-se com suas conquistas e iluminando-se com suas concepções. O ser humano é cheio de defeitos, mas pode burilar suas virtudes. A simbologia da pedra bruta é a mais fácil de ser entendida, mas a mais difícil de ser conquistada. Passamos a vida em busca de decifrar mistérios, mas uma vez iniciados, recebemos a chave para abrir a porta do conhecimento, mas uma chave que traz o segredo da aspiração pura e sincera.

 

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