O pecado rasgado

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Nem todos os dias amanhecem de sol brilhante e céu azul, mas são os altos e baixos  que indicam que estamos vivos, assim como as linhas de um eletro cardiograma. Muitas vezes chegamos a pensar que viver é apenas enfrentar problemas, algumas vezes resolvendo e outras não. Parece e é.  O movimento é a mola mestra, a roda que gira e nos leva juntos. Em determinadas situações precisamos ter o controle de nossas ações, em outras, precisamos apenas esperar. Não se pode controlar tudo, existem coisas que não dependem de nós, e que a insistência em querer segurar só nos causa sofrimento e dor. Muitas vezes tenho falado aqui que temos que buscar a serenidade, a paz profunda, o que não pode, de maneira alguma, ser confundido com a omissão. Saber a hora de agir é a questão.

No princípio de tudo arquitetamos um plano, dentro do que foi arquitetado por nós. Lá atrás, fizemos escolhas, conceituamos princípios e valores que deveriam nortear nossas vidas, traçamos metas, decidimos combater nossos vícios e buscarmos nosso bem em consonância com o bem coletivo. O que nos faz mudar de ideia no meio do caminho? As vicissitudes da vida nos confundem. Está tudo muito certo e claro para nós, no entanto temos que “matar um elefante por dia”. Não apenas no campo  do trabalho, mas em todas as áreas de nossas atividades. Após a tormenta, um pouco de calmaria, para logo depois enfrentar nova tempestade. E este é um ciclo que parece não ter fim.

Entretanto, pouco sabemos da vida e nada sabemos da morte. Acreditamos que a vida não termina aqui, mas somos incapazes de imaginar como seria a vida em outra dimensão, sem que se parecesse com esta que vivemos. O ser humano não é capaz de pensar em Deus se não for à sua imagem e semelhança. E nessa coincidência podemos observar as mais variadas e desvairadas interpretações. O mais incrível é que,  a mim, todas me parecem corretas. As pessoas não são iguais, as experiências também não – e mesmo se fossem, o aprendizado seria diferente –  e o universo mantém seu ritmo estável.

Com certeza o universo tende a nos enviar mensagens por meio de seu movimento uniforme, dentro de um ritmo impessoal  e constante, mesmo que não sejamos capazes de entender ou decifrar que mensagens são essas. Daí a necessidade de estar sereno, de saber esperar e agir no momento certo.  Todo mundo tem dúvidas. Queremos inteligência,  sabedoria, compreensão, mas somos todos  buscadores e a ninguém é permitido saber quanto o próximo já caminhou na Senda. Não se pode bisbilhotar e nem julgar. Somos tão generosos e complacentes conosco que nem percebemos que não usamos os mesmos critérios em relação ao outro. E o que é pior, somos, na maioria das vezes, superficiais em nossos julgamentos, julgamos a aparência, tomamos o outro isoladamente, esquecendo-nos dos mistérios da vida. Não raro, nos surpreendemos com os próprios julgamentos,  cheios de cólera e de forma precipitada. Nada pode abalar mais um julgamento que a ira, a paixão, as emoções. Todas  nossas ações deixam de nos pertencer quando comandadas por sentimentos fortes.  Sem isenção, o que deveria ser uma punição corretiva pode se transformar numa vingança sem mérito algum. Juízes entendem bem o que é julgar e sabem que ninguém hesitaria em condená-los até  à morte se por acaso, movidos pela cólera, condenassem um criminoso. Michel de Montaigne em seus Ensaios afirmou que “Quem tiver fome faça uso do alimento, mas quem quiser fazer uso do castigo, não deve sentir fome nem sede dele”. Cruéis ou indulgentes, nossos julgamentos sempre passam pela nossa subjetividade e nos tornam incapazes de exercer a imparcialidade absoluta.

 

Nem mesmo os grandes pensadores da psicologia humana teriam coragem de generalizar o comportamento humano. Temos pontos em comum, sofremos as influências do ambiente que vivemos, podemos reagir de forma parecida com um mesmo grupo, mas somos essencialmente indivíduos. A vida então se traduz na constante luta diária do autoconhecimento, da compreensão do outro a partir de nós mesmos, da busca da serenidade,  do esforço pessoal para nos sentirmos fraternos, integrados e felizes. O bem comum também é um aprendizado.


 

 

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