O vazio interior não se preenche com palavras

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A manhã fria convida a refletir sobre a vida e seus ciclos. É um convite a desgarrar do estado físico e integrar uma consciência cósmica, universal, capaz de apagar os resquícios da falível e passageira humanidade. Fico a pensar na vida, sem querer negar a morte, e nas experiências que ela pode proporcionar. Um momento para me abstrair de mim mesmo, e me juntar à fonte criadora para agradecer o privilégio de estar aqui e agora. Enquanto penso, escrevo. Palavras surgem do nada dando significado ao pensamento –  intimamente desejo ser lido –  na tentativa de sentir a proximidade daqueles que viajam comigo no tempo e no espaço, sem guerra, sem negação, sem medo da morte. Cada vez mais é possível perceber que a humanidade deseja mudança, apenas ainda não percebeu que a maior mudança que espera começa de forma interna.

Paradoxalmente, o estado de integração só acontece quando as palavras se aquietam em nós. Quando elas perdem o significado e a força de convencimento. É no silêncio que conseguimos ouvir nosso interior, identificar a dualidade de nossos pensamentos e a dissecar as nuances de nossas percepções. Precisamos nos munir de coragem para enxergarmos como realmente somos, sem sermos complacentes ou severos. A visão crítica a respeito de nós mesmo desenha a estrada do silêncio, do autoconhecimento. Como em todo caminho, aparecem curvas, lombadas, desvios, novas paisagens. São pequenas verdades, e tão nossas, tão íntimas, que partilhá-las nos parece ser incoerência. Se isso vale para as experiências concretas, imagine o quanto é impositiva na vida espiritual. É bem verdade que somos solitários no mundo, e a solidão interior é que facilita a conexão com outro universo. Ter vida paralela, espiritual, harmonizada, nos traz um ponto de equilíbrio,  e algum reflexo na vida cotidiana. Acredito ser o sentimento da Presença Divina que dá sentido aos fatos, cria o ambiente harmônico e exprime as mais profundas aspirações humanas.  No exercício de se interiorizar, cria-se uma dimensão que frisa o relacionamento do homem com  seu Eu superior. Estancamos o ciclo, percebemos a necessidade interior de ampliar o contato com a vida universal, começamos a ver o mundo externo de forma diferente. Produzir paz é um processo dinâmico de intercâmbio entre dois mundos , e, neste sentido, a paz é individual e interna.

Vida e morte exercem grande fascínio nas pessoas que gostam de pensar. Tolos seríamos se pensássemos que o mundo é apenas superficial, e que os seres humanos que nele habitam não se detêm para pensar e investigar as razões porque vivemos e, principalmente, porque morremos. Acreditamos mesmo que o homem é um ser complexo e sua maior complexidade está em seu pensamento. A morte, em especial, está na origem de muitos medos,  comuns a todos os seres humanos. Há, certamente, uma significação simbólica que faz o homem se opor instintivamente a tudo que é novo, desconhecido ou lhe pareça ameaçar sua segurança, autoridade e tradição. Por outro lado, somos portadores de inquietude e temos esperança de encontrar resposta para o que não conseguimos explicar por nossas experiências passadas. Buscar a sabedoria é, então, como olhar através do tempo e retirar de cena as personagens que sufocam o ser, as convenções, os padrões de uma sociedade que se recusa a ver o fim. Para tirar as vendas da ignorância é necessário encarar a morte de frente, enfrentar seu aspecto fúnebre e valorizar a vida em seu esplendor.

 

A existência e a consciência que temos dela continuam a nos intrigar. Levantamos hipóteses, questionamos, criamos teorias, avançamos nas descobertas tecnológicas, mas, ainda assim, desconhecemos a origem e o objetivo final da vida. Sabemos que estamos aqui e que algum propósito nos escapa à compreensão. Somos capazes de pensar a própria existência e, intimamente, temos a certeza que possuímos uma centelha que não é constituída de carne, sangue ou osso. Podemos silenciar todos os sentidos e ainda continuaremos nos sentindo parte integrante de alguma coisa. O fato é que criamos uma vida para não ter que pensar na morte. Enfim, o homem, o mesmo que sente a centelha imortal, vive como se nunca fosse morrer. Manhã de inverno com o tempo fragmentado.  Na natureza, o ano dividido em estações. Na vida, os ciclos da existência – infância, juventude, maturidade, velhice. No universo, o tempo cósmico que não conhece limites. O aqui e agora, se comparado ao universo, é como um flash.

 

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