Construir o coletivo não é uma utopia

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Na semana passada escrevi sobre a harmonia que permeia situações simples e complexas e que não são controladas pelo ser humano. Isso soa como uma afronta à nossa inteligência e superioridade. A humanidade, no entanto,  já devia estar acostumada ao fato de o tempo alterar a lógica dos fatos. Não vivemos o mundo de verdade absoluta, mas de verdades relativas, suscetíveis às influências e limitações de tempo e espaço.  É nítida a percepção de que estamos em um mundo em construção, aprendendo a viver e a conviver com as semelhanças e diferenças, evoluindo em nosso conhecimento intuitivo e científico. Mas apesar de tudo, de todos e de mim,  o mundo gira.

As escolhas que fazemos afetam a nós e aos que nos são próximos, mas não interferem na harmonia da natureza. As ações conjuntas,  geradas pela somatória de ações individuais, podem promover mudanças. Espera. Parece que há aqui uma contradição.  Como uma ação individual não provoca mudança e a coletiva pode promover? Paradoxos que exigem de nós pensamento mais profundo. Ações isoladas não tem o mesmo impacto que ações conjuntas, mas para que a ação coletiva seja transformadora precisa ter similaridades, motivações e objetivos comuns. Há certa sutileza quando o campo a se transformar vem carregado de princípios e valores. Vamos tentar exemplificar:  uma célula do cérebro deixa de funcionar, e,  a despeito dela, o cérebro continua exercendo suas funções, mas se um grupo de células deixam de funcionar, a cabeça pode doer.  Por outro lado, a dor na cabeça não impede que o corpo continue sua tarefa de manter a vida.  O que há em comum nesta situação é que o grupo de células faz parte do cérebro.  Isso significa que o corpo obedece a  ordem e disposição de células e órgãos. Para que provoque alguma alteração é preciso que essa ordem esteja manifesta. Não adianta um aglomerado de células se uma for da cabeça, outra da mão, outra do fígado. É necessário obedecer a ordem.

Na vida não é diferente. Aquela atitude isolada que tenho serve para mim. Posso decidir se tomo água gelada ou não, se uso esta ou aquela roupa, se cumpro esta ou aquela obrigação. As consequências desses atos atingirão apenas a mim. Mas uma irresponsabilidade, por exemplo, pode afetar a família e até a empresa que trabalho. Se um setor todo de uma empresa resolve parar, a empresa sofrerá o impacto, mas se apenas um empregado parar, ela pode substituí-lo sem prejuízo no bom funcionamento do setor. O sentimento de fraternidade, de bem comum, ou mesmo sentimentos negativos são invisíveis, mas presentes, nas ações coletivas. Então, se queremos promover mudanças, o caminho seguro a ser tomado é iniciar por nós mesmos. Quando promovemos mudanças em nós, aclaramos o pensamento, lapidamos o objetivo, certamente encontraremos  semelhantes que farão coro e darão  fortaleza à ação conjunta.

 

A vaidade humana muitas vezes embaça a percepção e não permite identificar o líder em determinadas situações.  Ao pensar que o mundo gira ao redor de nosso umbigo trazemos á compreensão sentimentos de egoísmo, vaidade, autoritarismo, radicalismo. As diferenças de nossas individualidades não são computadas de forma isoladas, mas agrupadas de forma que se pode dizer que o coletivo é construído como o resultado da aprendizagem interna coordenada com o fluxo externo.  Desde muito pequenos somos solicitados a aprender regras de convivência e quanto mais jogamos, mais contato temos com sentimentos como a inveja e o ciúme. As brincadeiras de crianças deveriam nos ensinar muito, tanto a respeito de nós mesmos, quanto dos nossos adversários. Irmãos brigam quando estão jogando, passam por cima das regras, roubam, criam estratégias, mas muitos apenas brincam, divertem-se durante o processo. A observação do comportamento infantil remete-nos ao ser adulto. As reações podem ser contidas, mas a natureza humana continua lá, à espreita, esperando o momento de se manifestar. Construir o coletivo não é uma utopia. Comunidades mais civilizadas são capazes de sonhar no plural e no jogo entre a vida e o ser há empate técnico. Claro que não é uma tarefa fácil, mas é perfeitamente possível, desde que se tenha noção de ordem e percepção para distinguir na multiplicidade de indivíduos, os elementos semelhantes que os aglutinam.

 

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