Canção da Manhã

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Uma manhã de sol radiante, temperatura amena,  florida – a despeito de ser outono –  inspira-me a falar de vida. Não apenas o exercício de tentar entender seu propósito, mas de deixar-se esvaziar de pensamentos e simplesmente apreciar a beleza da criação de Deus. Tão vazio de racionalidade que ao tentar escrever, as palavras vão surgindo de forma natural. E não só as palavras, mas a poesia que se acrescenta ao olhar, com significado único de sentir a vida. A vida é uma dádiva e o mistério que a envolve me permite usar de toda criatividade, inteligência, esperança e sonhar com um mundo melhor. Enquanto brindo à vida, o mundo que existe fora de mim continua a ter todas as contradições necessárias e suficientes. Ciência e religião continuam a não se entender, o trânsito mostra o que as pessoas seriam capazes de fazer com uma arma, a política fala em bem comum sem se dissociar da luta pelo poder, mas tudo segue dentro de um processo previsível.  O mundo caminha e o que importa é o resultado de nossa ação, não o nome que deixamos escrito para ser lembrado. Quem sabe o nome do inventor da roda? Mas a roda está aí, até hoje, na base de novas tecnologias.  Os novos vão chegando e aperfeiçoando o que encontraram. E é assim em todas as áreas da atividade humana. Gente é gente, no oriente e no ocidente, e sempre terá que lidar com a dualidade de tudo que existe, procurando  equilíbrio e sensatez.

Acredito  que desvendar o grande mistério da vida começa de forma individual, do resultado da luta diária que travamos com nossa humanidade, do confronto entre o bem e o mal, o certo e o errado, a luz e a sombra. São passos lentos de uma caminhada que se faz do individual para o coletivo. Podemos até reconhecer os períodos de transição e adaptarmos a consciência para compreender, mas a primeira reação que temos é resistir às mudanças. Muitas vezes preferimos nos enganar. A lógica do mercado, do capital que oprime, segrega, exclui seres humanos da vida digna e  evidencia a voracidade do ter – tentação constante nos dias atuais – em contraposição ao ser.  O cotidiano de lutas não permite que a contemplação passe dos momentos. Esse é um estado que apenas visitamos, de acordo com nosso estado mental, que se sujeita aos ciclos de nosso humor, de nossa capacidade de abstrair. É um estado que, aos olhos do mundo, se chama alienação. No entanto, os rumores que ouvimos, ao vivenciar esses momentos, não incomodam. Visitamos campos mentais que nem todos terão o privilégio de conhecer.

Temos a certeza íntima de que a vida em si mesma não depende de ninguém. Estar entre opostos até pode gerar algum cansaço, mas nunca a ponto de levar à desistência aquele que já experimentou a profunda sensação de namorar a vida.  Sempre imaginamos que meditar exige penumbra, música relaxante, olhos fechados, aroma de incenso. É verdade. Esse cenário ajuda a disciplinar a mente, mas também aqui estamos em terreno dual. Também é meditação, ver a beleza da criação no caminho de ida ao trabalho, em meio ao engarrafamento, na revoada de periquitos e cantos de bem-te-vis, nos canteiros floridos que ficam entre as avenidas nervosas, minimizando o ronco dos carros, a buzina dos atrasados.  Essa predisposição para ser feliz é interna, é individual. Se o mundo exibe seus contrastes, ainda temos a liberdade de escolher como viveremos nele, como nos adaptaremos às contradições humanas. Conhecer a si próprio é um processo dolorido. Entre o silêncio e a solidão podemos encontrar a paz necessária para colocar em ordem os sentimentos desencontrados e conquistarmos um coração mais sábio, mais apto a viver neste mundo sem se contaminar. Manhãs harmoniosas mostram ser possível manter a serenidade no dia a dia.  Libertos de mágoas, vaidades, paixões, ganâncias, rompemos a barreira do silêncio e nossa voz pode ecoar na imensidão do universo.



 

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