De onde vem a inspiração

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Quando fechamos os olhos, tapamos os ouvidos, buscamos a solidão interior, percebemos que vivemos  agitadamente. Não conseguimos calar as vozes, os pensamentos fogem, mas às vezes conseguimos agarrar um deles e trazemos para o mundo concreto, tentando compreender seu significado e desvendar um pouco mais do que tem escondido de um mundo que não temos o hábito de visitar. Foi com base nesses pensamentos que comecei a indagar de onde vem a inspiração. De vivências, de observações, de estudo?  Isso nos dá conteúdo que formará o pensamento,  mas a inspiração surge do nada.  Escrever é isso.  Decifrar pensamentos e observações e colocá-los em frases construídas, com um conhecimento básico da língua. Para expressar o que sentimos, nem sempre precisamos ser grandes gramáticos, se assim fosse, os melhores escritores seriam aqueles que cursaram Letras. Temos,  isto sim, que aprender a nos pesquisar, a ouvir e identificar as milhares de vozes que ouvimos  e a silenciar outras. Isso dá o conteúdo.

Escrevo neste jornal há décadas. Extrair um pensamento para desenvolver toda semana se torna um trabalho de fôlego, e com o tempo deixamos de nos preocupar com a erudição e, simplesmente, aproveitar o espaço para partilhar o que de melhor temos em nossas vivências. É claro que, como temos frisado,  cada um terá sua própria experiência, mas as luzes que encontramos no caminho, certamente , iluminarão aqueles que nos sucederem.  A vida real é para ser vivida e estamos nela da forma que planejamos. O insólito está na mente. Coordenar os dois campos de compreensão é, possivelmente, a missão que temos que concluir, antes de passarmos pela transição. Do outro lado não podemos falar de certezas. Assim como não temos como provar que existe, também não temos como provar que não existe. A verdade que tenho agora é que a fonte de inspiração não está atrelada ao mundo concreto, ela é mais sutil, mais fluida, mais etérea.  A arte de escrever pode estar associada à técnica, mas o que escrever está ligado à inspiração, que por sua vez se liga a um campo mental que desconhecemos. O acesso a essa área restrita é como a internet, exige que estejamos conectados  e instrumentalizados.  Para buscar inspiração os instrumentos mais eficazes são a oração e a meditação. Usei aqui a escrita, mas creio que o processo é válido para outras áreas do conhecimento ou das artes.

A sutileza da fonte geradora sugere que o acesso à área restrita seja mais fácil para aqueles que têm alma de artista, que são menos endurecidos, mas o produto – o resultado final – pode ser apreciado por todos e provocar em quem o recebe, grande impacto. Neste caso, música,  por exemplo, serve para melhor ilustrar este pensamento. É comum ouvirmos alguém dizer que se arrepiou todo ao ouvir determinada música. De alguma forma ele foi tocado em sua emoção e em um ponto que, certamente, o compositor atingiu ao trazer para a pauta o que ouviu em sua cabeça. Assim como na escrita, também é possível compor sem inspiração, usando apenas técnica. Mas o objetivo deste artigo é abordar o assunto sob o ponto de vista da sensibilidade, do diferencial de simplesmente arranjar letras/notas, palavras/acordes, vírgulas e pausas.

A inspiração se localiza onde termina o corpo da pessoa e começa o resto do mundo. Com os instrumentos necessários e a prática disciplinada no seu manuseio podem-se atingir graus de dissolução completa do ego e ter uma sensação de união, de espaço infinito. Nesse momento fica mais fácil identificar a fonte. Que os cânticos de nossa consciência interior sejam capazes de nos conduzir à mais sublime compreensão das coisas e que jamais possam nos modificar internamente, ainda que aqueles que não vivem a mesma realidade, tenham uma compreensão errônea de nós. A inspiração gera produtos com sentimento de plenitude interior e interação com o universo. A questão é que,  expressa, ela é capaz de tocar outra pessoa, de reproduzir um ambiente de emoção que antecede a razão. Uma obra que diz tanto ao autor quanto ao público.

 

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